Internet das coisas (IoT)

A conexão que alavanca a melhoria contínua

Por Victor Hashimoto. 25 de julho de 2016.

Com os exaustivos estudos no meio científico para promover a evolução dos diagnósticos de falhas e melhoria contínua, a Internet das Coisas, que deriva do termo Internet of Things (IoT), recebe atenção da perspectiva mundial. Tem sido denominada com uma revolução tecnológica onde articula o progresso de melhoramentos ligados a nanotecnologia e wireless que abrange equipamentos eletrônicos do cotidiano, no ramo da industrial, comercial, residencial e de serviços.

A Internet das Coisas consiste em integrar os dispositivos dos dia-a-dia como eletrônicos, eletrodomésticos, automóveis, equipamentos e até acessórios à rede mundial de computadores onde coleta os dados de seu funcionamento e uso, através de sensores implantados nos próprios dispositivos. Essas informações depois de captadas e transformadas em dados são processadas a fim de apontar soluções para melhorias no negócio ao qual estão relacionados, tanto ao serviço prestado quando seu desenvolvimento. Em suma, a Internet das Coisas, possibilita a coleta, gerenciamento e análise de dados dinamicamente e em tempo real.

Em 2014, o mercado brasileiro de aparelhos conectados na internet movimentou em torno de 2 bilhões de dólares, de acordo com o IDC (International Data Corporation) que realiza pesquisa de mercado e consultoria. A internet das coisas vem com o intuito de facilitar e organizar tarefas do dia a dia e se torna cada vez mais acessível graças a disseminação da banda larga móvel para todos os públicos e da redução dos preços dos chips de celular.

Abaixo segue o gráfico sobre uma pesquisa realizada pela ABB junto a mais de 200 executivos de concessionárias de energia, gás e água, deixa claro a relevância que vem adquirindo a IoT para a gestão de seus ativos. Conforme o levantamento, cerca de 80% consideram a integração entre Tecnologia da Informação (IT) e Tecnologia Operacional (OT) muito valiosa. Por sua vez, 58% dos entrevistados têm, ou planejam ter, uma estratégia de IoT para a gestão dos ativos, e 55% afirmam ter crescido a importância da gestão dos ativos nos últimos 12 meses.

IoT na Rede

Para o gerente geral de Serviços e Soluções para Smart Grid da Siemens no Brasil, Sergio Jacobsen, quando se pensa em Internet das Coisas atrelada ao setor elétrico, não se pode deixar de pensar, do mesmo modo, em redes inteligentes e em eficiência energética. Ou seja, para ele, o elemento básico da IoT e do funcionamento desta rede automatizada é o medidor inteligente (smart meter), cuja regulamentação já foi implementada no Brasil, mas cuja difusão maciça ainda não se tornou realidade.

Funcionando em conjunto como uma rede de comunicação implantada pela própria concessionária, o medidor inteligente agrega funcionalidades e possibilita à concessionária de energia elétrica e ao consumidor realizar tarefas antes não imaginadas, gerando benefícios a ambos. “Para o consumidor, por exemplo, acarreta transparência no consumo, para que ele possa consumir de forma mais eficiente”, afirma Jacobsen. Por meio do medidor, o usuário pode verificar seu consumo a cada 15 minutos e avaliar detalhadamente se seus modos de consumo estão gerando economia. Se a troca de lâmpadas por equipamentos mais eficientes energeticamente está surtindo efeito. Além disso, auxilia também no caso da geração distribuída, permitindo ao consumidor verificar se a energia gerada excede a energia consumida, e a quantidade de crédito que será gerada neste processo.

IoT na Iluminação

A IoT também vem sendo aplicada no segmento da iluminação elétrica. A fabricante de lâmpadas FLC destaca dois produtos que estão relacionadas a este conceito. Um deles é a lâmpada Smart Led, apresentada pela fabricante na Feicon Batimat 2016, ocorrida, em São Paulo, no mês de abril, e que já é comercializada. Segundo o diretor de marketing da FLC, Paulo Mündel, trata-se de uma tecnologia Led que se conecta a um smartphone ou a um tablet via tecnologia bluetooth e pode ser controlada pelo usuário através de um aplicativo. “Por meio do app, você pode dimerizar e controlar a temperatura de cor da lâmpada”, relata Mündel. É possível também controlar não apenas um, mas um grupo de lâmpadas. O usuário consegue montar um grupo de lâmpadas e controlar este agrupamento via cenários estabelecidos no próprio aplicativo.

A Internet das Coisas voltada para a iluminação elétrica pode e deve ter alcances muito mais amplos, como o gerenciamento inteligente do parque de iluminação pública de uma cidade. Um projeto de iluminação pública foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Smart Cities da empresa de origem chinesa Huawei, localizado no Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Alegre. Coordenador do Centro, o professor Fabiano Hessel, explica que se trata de um sistema de iluminação pública inteligente, que possibilita ao responsável pelo parque de iluminação operar uma luminária a distância, ligá-la, desligá-la, dimerizar o equipamento e mapear dados, controlando remotamente a luminosidade, a temperatura de cor e o consumo de energia do parque de iluminação. O projeto já está pronto, segundo Hessel, faltando apenas os testes de campo, que serão feitos na cidade de Porto Alegre. “A prefeitura está definindo em qual rua ou avenida será testado o sistema”, declara o coordenador.

Sua aplicação em sensores podem reportar exatamente onde, quando e como um produto é usado para ajudar em processos de design e marketing. O processo de coleta de dados em tempo real pode ter um custo menor, ser mais rápido e mais preciso que pesquisas com o consumidor e pesquisas de mercado.

Crescimento

No gráfico a seguir percebemos claramente que o crescimento dessa tecnologia integrada a inúmeros aparelhos tende apenas a aumentar. Em 2010 tratavam-se 12,5 bilhões de aparelhos conectados e a estimativa para 2050 é de quadruplicar esse valor, segundo a SAS, empresa líder em software e serviços de análise de negócios. Tal expectativa aponta que essa ferramenta fará cada vez mais parte de nosso cotidiano pessoal, além do profissional. 

 

Na agricultura, sensores podem ser usados para monitorar temperatura do ar, do solo, velocidade do vento, umidade, radiação solar, probabilidade de chuva, umidade das folhas e coloração das frutas. Agricultores podem melhorar seus rendimentos utilizando estes dados para ajustar fatores como horários e quantidades de irrigação e períodos de colheita.

Usando Internet das Coisas, os médicos e hospitais podem coletar e organizar dados vindos de dispositivos médicos conectados, incluindo monitores de saúde instalados nas casas. Ao coletar dados em tempo real, profissionais da medicina têm dados mais completos de seus pacientes, melhorando o atendimento através de diagnósticos e tratamentos mais eficazes.

Referências:

  1. History of the Internet of Things. Disponível em: <http://www.sas.com/pt_br/insights/big-data/internet-das-coisas.html>. Acesso em: 11 jul 2016. 
  2. MOREIRA, Bruno. A nova revolução tecnológica. 2016. Disponível em: <http://www.osetoreletrico.com.br/web/component/content/article/57-artigos-e-materias/1980-nova-revolucao-tecnologica.html>. Acesso em: 26 jun 2016.
  3. Saiba como a internet das coisas vai mudar nosso dia a dia, para sempre. Disponível em: <http://netscandigital.com/blog/internet-das-coisas/>. Acesso em: 14 jun 2016.
  4. ROMEDER, Stephan. Dez aplicações possíveis do conceito de Internet das Coisas em PMEs. Possibilidades da IoT são infinitas e vão desde a gestão do ciclo de vida do produto até o uso em verticais específicas. 2015. Disponível em: <http://computerworld.com.br/dez-aplicacoes-possiveis-do-conceito-de-internet-das-coisas-em-pmes>. Acesso em: 14 jun 2016.

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