Eficiência energética

A solução imediata frente a redução de custos direcionada à sustentabilidade

Por Victor Hashimoto. 30 de junho de 2016.

Publicado por Victor Hashimoto. 30 de junho de 2016.
Traduzido por João Ricardo

     Com as enormes perdas entre a geração de energia elétrica e o seu uso final, os consumidores precisam ser conscientizados quanto a prática da eficiência energética. Esta, tem como principal objetivo melhorar o uso da energia elétrica de forma racional onde, relaciona a quantidade de energia elétrica empregada em uma atividade com aquela disponibilizada para realização.

     A ênfase na sustentabilidade depois da COP21, (i.e. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) realizada ano passado na França, foi reforçado a necessidade de crescimento paralelo ao da economia e a preservação do meio ambiente. A população brasileira apoia tal política, segundo o levantamento do instituto de estudos americano Pew Research Center, onde aponta que 86% dos brasileiros considera o aquecimento global um problema muito sério e 88% acham que o governo deve assumir posições para mitigar essas mudanças.

     No panorama atual do Brasil, a indústria está à frente no consumo de energia, seguido das residências, comercio e serviços. Com o aumento das tarifas decorrida da economia, foi observado uma mudança da postura nos brasileiros, que passaram a se conscientizar no consumo de energia elétrica a fim de evitar maiores prejuízos financeiros. Para remediar a crise energética que vivenciamos, possuir uma matriz energética diversificada e sustentável irá amenizar a dependência de reservatórios de água cheios nas hidrelétricas.

     O Brasil segue em primeiro lugar em energia elétrica mais cara paga pela indústria na pesquisa do sistema Firjan, que atua na competividade comercial, onde foi relacionado dez países pelo mundo como demonstrado no gráfico abaixo. O lugar em destaque não causa ufania e desperta preocupação, com isso a medida mais vantajosa a ser tomada é implantar uma política de eficiência energética, redimensionar e trocar motores, além de instituir um sistema de controle para monitorar o emprego da energia elétrica usada.

     O gráfico a seguir expressa o que o Brasil é um dos países que mais gasta energia na indústria para gerar cada dólar do PIB. Em comparação à China nota-se que o requerimento de energia no Brasil é excessivo, uma vez que a produção industrial chinesa é exorbitantemente maior que a brasileira. Tal situação devia ser justamente inversa, visto que geograficamente o Brasil se encontra em uma região abundante de fontes renováveis, onde há bom índice de incidência solar por se tratar de um país tropical, correntes de vento na região nordestina, rica bacia hidrográfica e um vasto litoral a produção energia maremotriz. O cenário brasileiro torna-se ainda mais agravante devido à falta de investimento na automação e possuir um parque industrial antiquado, sem o mesmo nível de eficiência dos países desenvolvidos.      Portanto, o melhor caminho para a minimização dos gastos sobressalentes com o consumo de energia elétrica na indústria brasileira é implantar um sistema de autoprodução de energia elétrica a afim de se tornar menos vulnerável a variação da tributação, e renovar os equipamentos instalados.

     A gama de ações destinadas à essa conduta vai desde a atualização dos sistemas de iluminação residencial, comercial, industrial e pública até geração de eletricidade por fontes limpas (como solar e eólica), passando pela modernização dos parques de motores, de sistema de ar comprimido e de refrigeração, entre outros. Além disso, há a automação residencial e predial onde, é possível economizar através de soluções destinadas ao controle e a medição e de sistemas que permitem o aproveitamento da iluminação e da ventilação natural.

     Para Alexandre Moana, presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas e Serviços de Conservação de Energia), a eficiência energética proporciona maior competitividade no País e maior participação nas ações de mitigação da emissão desses gases do efeito estufa, inclusive possibilitando a formação de novos modelos de produção e uso da eletricidade. (1)

     Já para Glycon Garcia Júnior, executivo líder na América Latina da área de Energia Sustentável da Internacional Copper Association (ICA) que no Brasil é representada pelo Procobre (Instituo Brasileiro do Cobre), a eficiência tem que ser encarada como um investimento de alto retorno. “O desenvolvimento de uma modelo de negócios para Escos (Empresas de Serviços de Energia), através de contratos de performance e outros meios, mostra a viabilidade econômica e técnica para a implantação de projetos nos mais diversos setores da economia”, informa o executivo do Procobre. (1)

     Também menciona que existe uma iniciativa da Aneel (Programa de Eficiência Energética das Empresas de Distribuição) que obriga as concessionárias distribuidoras de energia elétrica a destinar no mínimo meio por cento de sua receita operacional líquida a ações nessa área. Entretanto, ele observa que o programa exige que até 80% dos recursos sejam aplicados em baixa renda, o que inibe sua ação em outros segmentos que poderiam trazer muito mais resultados. “O BNDES também oferece uma linha de crédito para eficiência energética, o cartão BNDES, o Finame, entre outros. Neste caso, o desafio é conseguir que os financiamentos cheguem em condições viáveis, apresentando menos exigências e garantias que acabam inibindo a maior penetração do BNDES junto aos potenciais tomadores”, completa o especialista. 

     No nosso País o Programa Brasileiro de Etiquetagem, coordenada pelo Inmetro, busca suprir o consumidor de informações sobre o desempenho do produto, considerando atributos como eficiência energética que direciona o consumidor para implantação de sistemas que consomem menos energia, e assim proporcionar economia financeira. Porém, Glycon Garcia Júnior destaca que o PBE estabelece índices mínimos para transformadores em relação aos padrões internacionais, e ressalta que analisar a vida útil desse produto, além do preço de compra, é importante para que não haja perdas energéticas afim de evitar situações como a do cenário atual, que possui baixo rendimento energético nos transformadores de distribuição.  

     Os resultados decorrentes dos investimentos em eficiência energética são capazes de gerar benefícios em várias esferas, com financeira, ambiental e também tecnológica, contribuindo consequentemente, para um melhor posicionamento do País no cenário atual.

Referências:  

  1. SILVA, Leandro Ávila da e NEVES, Rodrigo Augusto. Eficiência energética, o investimento necessário para a indústria. 2016. Disponível em: <http://www.osetoreletrico.com.br/web/component/content/article/57-artigos-e-materias/1682-eficiencia-energetica-o-investimento-necessario-para-a-industria.html>. Acesso em: 09 jun 2016.
  2. MARTINS, Paulo. É tempo de fazer mais... usando menos. Eficiência energética, São Caetano do Sul, v.1, n 125, p. 12-20, maio. 2016.